Marília Pêra, uma das maiores atrizes brasileiras, completa hoje 66 anos

Estava ainda na barriga da mãe-atriz quando participou da primeira encenação. Mas a estréia de verdade aconteceu quando tinha apenas 19 dias, embrulhada numa cesta, interpretando o único papel que lhe cabia: um bebê. Com as próprias pernas, subiu ao palco pela primeira vez aos cinco anos para interpretar a filha de Medéia. Certa vez, alguém apertou o braço que ela havia machucado e estava inchado e muito dolorido. A menina gemeu e perdeu a fala em cena. Henriete Morineau, atriz nascida na França e radicada no Brasil, alta, esbelta e de voz grave, que encarnava Medéia, não perdoou. Quando as cortinas se fecharam, chamou a garota num canto e ralhou: "Uma atriz morre, mas cumpre o seu dever."

A família Pêra morava no pé do morro do Querosene, na zona norte do Rio. Quando Marília saltava do lotação, vinda da aula de piano ou balé, o pai a esperava com um revólver 38 na cintura para que chegasse sã e salva. Marília era uma criança introspectiva e triste. Tinha pressa de virar atriz de verdade. Aos 15, convenceu o pai a deixá-la dançar em "De Cabral a JK", uma "revista familiar" (não tinha palavrão e as vedetes usavam maiô, não biquíni) de Max Nunes. Lá conheceu Paulo Graça Mello (falecido num desastre de automóvel em 1969), o primeiro homem que a beijou e com quem casou, aos 17 anos. Virgem.
O casal fazia três ou quatro sessões do circo Thiany, à tarde. Ele tocava frigideira numa orquestra improvisada e ela dançava em torno de uma moça que ia ser serrada num truque de mágica. À noite, eles suavam na boate Plaza, em Copacabana, no musical Sherazade. Convidado a excursionar com Society em babydoll, Paulo impôs a condição de só viajar se a mulher o acompanhasse. Na véspera do embarque para Salvador, aconteceu um imprevisto: a vedete torceu o pé. Houve remanejamento de papéis e sobrou vaga para Marília interpretar uma moça ingênua. Estava com cinco meses de gravidez, mas mentiu que eram só dois. Após o parto, excursionaram durante seis meses em Portugal, morando em pensões e secando fraldas com ferro de passar roupa. Na volta, o casamento estava em frangalhos. "O amor não agüenta tanta provação."

Você sabia?
Em 1964, Marília Pera derrotou Elis Regina num teste para o musical "Como vencer na vida sem fazer força". Logo depois começou a flertar com o jornalista e compositor Nelson Motta, que mal terminara um namoro com a cantora. Para piorar, Nelson convidou Marília para assistir ao show de Elis. Sentaram na primeira fila. Elis cantou olhando todo o tempo para eles. No dia seguinte, telefonou: "Tens notícia do meu homem?"
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