Em 1927 nasceu o maestro soberano, Antônio Brasileiro, Tom Jobim.

Tom desafinou a bossa nova, cantou o amor, o silêncio do namoro, a expressão dos olhares. Cantou Heloísas, Luízas, Lígias e Teresas.
Tom Jobim musicou de maneira real e imaginária nossa terra, nossos bichos, nossas matas, suas sombras, ruídos, seus vôos e movimentos. São sons suaves, leves, às vezes brincalhões, mas acima de tudo, sons brasileiros. Entre suas famosas composições estão Se todos fossem iguais a você, Eu sei que vou te amar e Águas de março.
Trajetória:

A outra paixão adolescente era Teresa, paulista que conheceu na praia aos 15 anos e com que se casou sete anos depois.

Só comprou o primeiro carro, um Fusquinha, em 1962, já famoso. Pescava na Barra da Tijuca, então uma praia deserta. Acendia a fogueira, fincava a barraca na areia e passava a noite com a mulher e os dois filhos.
Em 1956, musicou e fez os arranjos da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes. Vinícius o levava a festas de gente rica. Numa delas, deparou com Villa-Lobos. Apresentado ao ídolo como autor da música de Orfeu da Conceição, Villa cantarolou: "Conceição, eu me lembro muito bem...", pensando se tratar do sucesso de Caubi Peixoto.

Logo a bossa nova se transformaria em sucesso nacional. Em 1962, o concerto do Carnegie Hall, em Nova York, abriu as portas do mercado americano.
Tom começaria carreira internacional que o levaria a viver na ponte-aérea Rio-Los Angeles nos anos 60. Num final de tarde, num bar de Ipanema, alguém gritou: "Tom, ligação dos Estados Unidos." Era Frank Sinatra. "Quero fazer um disco com você."

Casado pela segunda vez, com a fotógrafa Ana, abandonou a boemia na década de 90. Aparecia todo dia às 8 e meia da manhã na padaria Século XX, no Jardim Botânico. Chapéu de palha, fumando um charuto, pedia um cafezinho e uma barra de 145 gramas de chocolate. Passava na farmácia Piauí, no Leblon, comprava pomada ou aspirina para não perder a viagem. Bebia chope na churrascaria Plataforma até as três e meia. Então, outro pulo na padaria, mais uma barra de chocolate. Se a fase era de inspiração, pedia um garrafão de vinho vazio, enchia de chope e levava para colocar junto do piano.

Você sabia?
O médico que fez o parto de Tom Jobim, José Rodrigues da Graça Melo, foi o mesmo que cuidou de trazer ao mundo Noel Rosa, quase 17 anos antes. Como faltou água na casa, o tio de Tom pediu uma bacia emprestada ao vizinho.
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