sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ó Pai, Ó

Estréia hoje a minissérie 'Ó Pai, Ó', na rede Globo, baseada no divertidíssimo filme homônimo protagonizado pelo ator Lázaro Ramos. Quem já assistiu o longa, já sabe o que esperar da minissérie.

Ambientada fora do eixo Rio-São Paulo, 'Ó Pai, Ó' explora as ruas do Pelourinho, na quente Bahia, com personagens bem temperados, sensuais e afinados no humor. A minissérie gira em torno da vida dos moradores de um cortiço, onde a dona do imóvel - que fica no centro histórico de Salvador - é dona Joana, uma beata que não dá paz e cuida da vida de todos.

Entre os moradores do cortiço, está a fogosa Yolanda (Lyu Arisson). Travesti de língua afiada, não perde a oportunidade de dar em cima do casado Reginaldo (Érico Brás) que, de vez em quando, se rende aos encantos e provocações da bela. Provocativa, a personagem passeia pelas ruas de Salvador sempre exibindo suas curvas sob saias curtíssimas.

Já 'Neusão', personagem vivida pela atriz Tânia Toko, é uma 'sapatona arretada', dona de um bar onde os principais freqüentadores são os moradores do cortiço. Neusão da Rocha tem o estilo de uma típica lésbica 'caminhoneira'. Com um grande coração, está sempre metida em dívidas, pois vive vendendo fiado em seu bar.

Segundo a diretora geral do programa, Monique Gardenberg, "vários assuntos sérios serão tratados [na série] com muito humor, de uma maneira leve. Como a falta de vagas em hospitais da rede pública e a adoção de crianças por casais homossexuais".

Dividido em seis episódios, 'Ó Paí, Ó' terá nomes de peso em seu elenco. O ator Lázaro Ramos continua como o protagonista 'Roque '. Matheus Nachtergaele dá vida a 'Queixão' que, segundo a descrição, é amalucado e racista. Já Stênio Garcia vive o personagem Seu Gerônimo, dono de um luxuoso antiquário no largo do Pelourinho.

A série vai ao ar às sextas-feiras, a partir de 31 de outubro, logo após o Globo Repórter', na Globo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Milk

Faltam apenas quatro semanas para a estréia nos cinemas dos Estados Unidos de "Milk", o relato de Gus Van Sant sobre o primeiro político californiano declaradamente gay. Mas não se vê nenhum indício disso.



Diferentemente do rebuliço que cercou o filme de temática gay anterior da Focus Features, "O Segredo de Brokeback Mountain", que já atraía críticas de setores da direita meses antes de sua estréia em 2005, praticamente não se ouviu até agora um pio sobre "Milk" nas páginas editoriais ou nos programas de entrevistas.

É claro que a eleição presidencial está dominando todas as atenções. Mas outro fato é que a Focus está deliberadamente evitando publicidade para o filme estrelado por Sean Penn, mantendo-o fora dos festivais de cinema famosos do outono e limitando ao máximo as sessões em que é exibido para a mídia.

Abrir mão da divulgação boca a boca, visando evitar a difusão de opiniões infundadas, não é típico. Basta ver a eficácia com que a Lionsgate divulgou filmes politicamente carregados como "W.", a cinebiografia de George W. Bush dirigida por Oliver Stone, ou o documentário "Religulous", de Bill Maher. Mas a Focus se dispôs a assumir esse risco.

Em todo caso, o silêncio em torno de "Milk" não vai durar muito tempo. A bola política começará a rolar quando o filme fizer sua pré-estréia, na noite de terça-feira em San Francisco, e continuará após a eleição de 4 de novembro. E, quando isso acontecer, o estúdio se verá diante de um dilema de marketing: como promover o tema dos direitos dos gays, que o público-alvo espera ver destacado, e ao mesmo tempo atrair o público majoritário, que poderia não se sentir imediatamente seduzido por um filme sobre esse tema.

Depois da eleição presidencial, a divulgação do filme também terá que se manter acima da política. A Focus pretende divulgar "Milk" em parte como uma história de esperança e mudanças (Harvey Milk, membro do Conselho de Supervisores de San Francisco que foi assassinado em 1978, conquistou árduas batalhas pelos direitos iguais para gays), assim como vendeu "Brokeback Mountain" como uma história de amor.

A estratégia era lógica no caso de "Brokeback Mountain", mas não é igualmente evidente no caso de "Milk."

Como "Brokeback Mountain", "Milk" traz à tela um romance gay. Mas, diferentemente do primeiro filme, "Milk" foi feito por cineastas gays, é estrelado pelo polarizador Sean Penn e se coloca diretamente num contexto político. A luta de Harvey Milk contra a Proposta 6, contra os direitos dos gays -- drama tratado em grande detalhe no filme -- traz paralelos com a atual luta na Califórnia em torno da Proposta 8, que pretende proibir os casamentos entre gays.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ORLANDO FURIOSO

ORLANDO FURIOSO é um espetáculo teatral para adultos baseado no texto homônimo de Ludovico Ariosto, com bonecos movimentados por vergalhões de ferro. Com 90 cm e pesando 3,5 Kg, estes bonecos são construídos conforme uma técnica siciliana tradicional e fazem movimentos vigorosos, como nenhum outro tipo de boneco é capaz de fazer.

Conhecidos como pupi, estes bonecos são ideais para a encenação de combates armados, paixões arrebatadoras, loucura, ingredientes deste poema épico, baseado em canções de gesta que remontam ao século XI. A montagem narra a história do amor que levou Orlando, o maior paladino da França à loucura, pondo em risco o exército de Carlos Magno e o domínio cristão na Europa. Com quatro atores-manipuladores e música ao vivo executada por três músicos (violão, canto e viola caipira; acordeão e percussão), ORLANDO FURIOSO foi realizado com o apoio do PAC – Programa de Ação Cultural – da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

TEXTO: Ludovico Ariosto
ADAPTAÇÃO: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini
DIREÇÃO: Luiz André Cherubini
ATORES-MANIPULADORES: Sandra Vargas, Luiz André Cherubini, Maurício Santana e Anderson da Silva
MÚSICOS: Carlos Amaral (violão), Renato Vidal (percussão) e Iuri Salvagnini (acordeão)
DIREÇÃO MUSICAL: João Poleto
CENÁRIO E FIGURINOS: André Cortez
ILUMINAÇÃO: Renato Machado
ASSESSORIA TÉCNICA E HISTÓRICA: Luciano Padilla
CONSTRUÇÃO DOS BONECOS: Anderson da Silva, Agnaldo Souza, Luiz André Cherubini, Maurício Santana
PINTURA DOS BONECOS: Léia Izumi
FIGURINOS DOS BONECOS: Sandra Vargas

Local: Centro Cultural São Paulo - Espaço Cênico Ademar Guerra
Rua Vergueiro, 1000, ao lado da Estação Vergueiro do Metrô
Data: de 17/10 a 21/12 - sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h
Preços: R$ 12,00.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3383-3402(CCSP) e (11) 3399-3589 (GRUPO SOBREVENTO).

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Beco

Inspirada em obra de Patrícia Secco, entra em cartaz em 1º de novembro no Teatro da Vila a peça teatral ´O Beco´. Serão quatro apresentações gratuitas.

A obra discute as múltiplas formas de preconceito - entre elas, as diferenças sociais e as dificuldades enfrentadas por portadores de psoríase - e a maneira que três jovens encontram para superá-lo, por meio da união e do grafite.

Serviço

Endereço: Teatro da Vila - Rua Jericó, 256.
Data: 1 e 2 de novembro de 2008.
Horário: 14h e 16h.
Preço: Grátis (retirar ingresso com meia hora de antecedência.
Telefone: 3258-6345.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Graciliano Ramos (1892-1953)

Certamente não era pela qualidade dos produtos oferecidos que os habitantes do município de Palmeira dos Índios, no agreste alagoano, viviam na loja de tecidos Sincera. Nada contra as mercadorias. Mas a alma do negócio era o próprio dono, um intelectual que largava o balcão, punha cadeiras na calçada em frente ao comércio e, entre doses de café e cachaça, discorria horas sobre a Revolução Francesa. A gente pobre se deliciava. Resolvia comprar. E sensibilizado com o aperto financeiro dos conhecidos, Graciliano Ramos vendia fiado.

Há quem diga que, na hora de receber o dinheiro, o escritor dava o troco segurando as notas com uma tesoura para não se sujar. A mania de higiene sempre o acompanhou. Se alguém o perdia de vista, bastava passar no banheiro mais próximo: ele estava lavando as mãos.

O comércio não mexia com a imaginação de Graciliano. Aos 22 anos (nasceu no dia 27 de outubro de 1892, em Quebrângulo, Alagoas) foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Já trabalhava como revisor e escrevia crônicas quando um telegrama interrompeu o sonho de ser um escritor. Chegava a notícia da morte de três irmãos, num só dia, e do péssimo estado da mãe, todos vítimas da peste bubônica. Atarantado, ele voltou ao sertão, e lá ganhou notoriedade.

Em 1926, o prefeito de Palmeira dos Índios apareceu fuzilado. De tanto recusar o convite dos amigos para sair candidato, espalhou-se o boato de que Graciliano estava com medo de fracassar. "Apareça o filho da p... que disse que eu não sabia montar em burro bravo!", desafiou. Ninguém apareceu e ele venceu as eleições sem fazer campanha. Logo que assumiu o cargo, em 1928, decretou o recolhimento dos bois, cavalos e porcos que andavam soltos nos passeios públicos. Os donos eram severamente multados. Sobrou até para o pai do escritor. Certo dia, o fiscal encontrou algumas vacas do velho em liberdade. Sebastião Ramos protestou, mas o filho não teve dúvida: "Lavre a multa; prefeito não tem pai."

O homem que lia Marx em francês na adolescência deu asas às suas inspirações e mandou a prestação de contas ao governador em linguagem literária. Não se sabe como, mas o texto brilhante foi parar nas mãos do editor carioca Augusto Frederico Schmidt. Ele supôs que quem escrevia relatórios como aqueles deveria ter algum romance escondido na gaveta. Schmidt acertou e mandou publicar Caetés, lançado quando Graciliano já contava 41 anos. A austeridade do administrador resultou no convite para dirigir a Imprensa Oficial do Estado, equivalente a uma Secretaria de Educação.

Detido sob a falsa acusação de participar da Levante Comunista de 1935, Graciliano passou dez árduos meses preso no Rio de Janeiro. O inferno foi retratado em Memórias do cárcere: a cela fétida, a comida intragável, mas também a amizade com dois ladrões barra-pesada - Cubano e Gaúcho, este último um especialista em arrombamentos. Deixou a cadeia em janeiro de 1936 e nunca mais voltou para o Estado de origem. Ao contrário, trouxe a mulher, Heloísa, e duas filhas para uma pensão no Catete, no Rio. "Parecia ser um sujeito ríspido, mas no fundo isso não passa de estereótipo", lembra o jornalista Moacir Werneck de Castro, então vizinho de Graciliano. O mito se justifica. Dizem que ele respondia aos cumprimentos de "bom-dia" com um seco "por quê?". Quando lhe pediam a opinião sobre um livro, afiançava: "Não li e não gostei."

Pêsames do Dops

As dificuldades financeiras acompanharam o velho Graça até o fim da vida. Sua produção literária era lenta e mal-remunerada. Acumulava as funções de inspetor de ensino e revisor do Correio da Manhã. A filiação ao Partido Comunista aconteceu em 1945, quando o PCB saiu da ilegalidade do Estado Novo. Foi um membro ativo, mas nunca se submeteu ao patrulhamento ideológico dos companheiros, que insistiam para que sua obra se voltasse para um realismo socialista. Preferia denunciar a miséria brasileira por meio de personagens ásperos e uma linguagem sem rebuscamentos.

Sua franqueza cortante foi espionada até o último dia. Graciliano Ramos não resistiu ao câncer no pulmão causado pelos três maços diários de cigarros Selma. Na manhã do dia 20 de março de 1953, o telefone tocou na Casa de Saúde São Victor. "Pode me informar se Graciliano Ramos faleceu?" "Sim, senhor", responderam. "Meus pêsames. É do Departamento de Ordem Política e Social. Desejávamos saber se podíamos inutilizar a ficha dele." Como se as idéias morressem com o corpo.

VOCÊ SABIA?

Era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa, mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.

OBRA-PRIMA:

• Caetés (1933)

• São Bernardo (1934)

• Angústia (1936)

• Vidas secas (1938)

• Infância (1945)

• Memórias do cárcere (1953)

• Viventes de Alagoas - reunião de crônicas (1962)

(Fonte: IstoÉ – O Brasileiro do Século)

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." (Graciliano Ramos)"

PORNOGRAFIA BARATA

PORNOGRAFIA BARATA é um espetáculo composto por cenas curtas e seriadas e percorre a intimidade de encontros entre clientes e prostitutas e invade a privacidade de casais pouco ortodoxos. Não se trata, porém, de exibição pura e simples de sexo explícito como o título parece evocar. O texto encara com profundidade e coragem o sexo mercenário ou livre, privado ou público. É um espetáculo caracterizado por um vivo contraste entre a ferocidade licenciosa e libertina do início e a suavidade de sua conclusão.

Direção: Mauricio Paroni de Castro
Dramaturgia: Mauricio Paroni de Castro e Atelier de Manufactura Suspeita, a partir de Nietszche, Andrés Lima e textos de anônimos da web.

Elenco:
Bruno Kott
Cristine Perón
Diego Ruiz
Fernanda Moura
Mauricio Paroni de Castro
Participações especiais:
Simona Queiroz
Otávio Azevedo
Temporada: até 20 de Dezembro
Sextas-feiras e Sábados às 23:59
Duração: 80 minutos
Censura: 18 anos
Fotos de Cena: André Stefano / Fotos de Estúdio: Hilton Ribeiro
Espaço dos Satyros I
Praça Roosevelt, 214, Telefone: 3258 6345
Ingressos: R$20 e R$10
São Paulo - SP

domingo, 26 de outubro de 2008

Mamma Mia!

Recentemente assisti o musical “Mamma Mia!”, e não poderia deixar de comentar o ocorrido, pois fiquei impressionado com o filme, adoro o extinto grupo Abba, e ver esse musical me deixou muito emocionado. O filme conta a história de Donna (Meryl Streep) que é dona de um pequeno hotel e mãe solteira da espirituosa Sophie (Amanda Seyfried), que vai casar. Donna precisa superar o fato de que irá ficar sozinha e convida duas amigas especiais para o casamento da filha, do tempo que era vocalista de uma banda chamada Donna and the Dynamos. Procurando conhecer a verdadeira identidade de seu pai, Sophie convida secretamente três homens especiais, um deles pode ser o seu verdadeiro pai.

O grande dilema do filme é quem conduzirá a jovem Sophie até o altar, pois ninguém sabe ao certo quem é o seu verdadeiro pai, todos querem levá-la, e fica uma situação insustentável, até que Sophie numa decisão sensata chama o seu “verdadeiro pai” para conduzi-la ao altar, ser verdadeiro pai se chama Donna, a mãe que a criou sozinha, o desfecho da história é maravilhoso, o filme ganha um rumo surpreendente, e acaba com uma grande e bonita festa de casamento grego, ou seja, muita música, alegria e festa. O musical Mamma Mia é uma comedia romântica deliciosa, adoro esse estilo de produção, o filme ganhou lugar no meu ranking dos melhores desse segmento, ele passa uma mensagem de valorização ao amor, mostrando-nos que o ato religioso do casamento não um fator importante quando existem amor e vontade de viver a dois. "Mamma Mia!" é um filme que merece ser visto.