quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Marília Pêra, uma das maiores atrizes brasileiras, completa hoje 66 anos

Era uma menina que adorava empastelar os cabelos das bonecas com massa de batom, ruge e pó-de-arroz. Vivia nos camarins do teatro e admirava o brilho das roupas e o perfume das atrizes. Dormia em trapos esticados no chão e, às vezes, mesmo sem sono, deitava só para olhar o céu do palco, as cordas, os refletores, as varandas do cenário. Filha, neta e sobrinha de atores, Marília Pêra cresceu espiando da coxia os clássicos do teatro universal interpretados por celebridades como Procópio Ferreira e Dulcina de Moraes (a grande diva do teatro nacional na primeira metade do século).

Estava ainda na barriga da mãe-atriz quando participou da primeira encenação. Mas a estréia de verdade aconteceu quando tinha apenas 19 dias, embrulhada numa cesta, interpretando o único papel que lhe cabia: um bebê. Com as próprias pernas, subiu ao palco pela primeira vez aos cinco anos para interpretar a filha de Medéia. Certa vez, alguém apertou o braço que ela havia machucado e estava inchado e muito dolorido. A menina gemeu e perdeu a fala em cena. Henriete Morineau, atriz nascida na França e radicada no Brasil, alta, esbelta e de voz grave, que encarnava Medéia, não perdoou. Quando as cortinas se fecharam, chamou a garota num canto e ralhou: "Uma atriz morre, mas cumpre o seu dever."

Marília Pêra da Graça Mello (carioca nascida em 22 de janeiro de 1943) cresceu ouvindo lições severas, o que explica o apreço que ela tem pela disciplina. Chega ao teatro três horas antes do início do espetáculo e confere se está tudo em ordem, desde cenário, figurino e luz até o banheiro reservado ao público. O rigor de Marília vem principalmente do pai, Manoel Pêra (falecido em 1967, aos 74 anos), português radicado no Brasil. Ator talentoso, sobreviveu à custa de muito sacrifício fazendo papéis secundários ao lado da mulher, a atriz Dinorah Marzullo.

A família Pêra morava no pé do morro do Querosene, na zona norte do Rio. Quando Marília saltava do lotação, vinda da aula de piano ou balé, o pai a esperava com um revólver 38 na cintura para que chegasse sã e salva. Marília era uma criança introspectiva e triste. Tinha pressa de virar atriz de verdade. Aos 15, convenceu o pai a deixá-la dançar em "De Cabral a JK", uma "revista familiar" (não tinha palavrão e as vedetes usavam maiô, não biquíni) de Max Nunes. Lá conheceu Paulo Graça Mello (falecido num desastre de automóvel em 1969), o primeiro homem que a beijou e com quem casou, aos 17 anos. Virgem.

O casal fazia três ou quatro sessões do circo Thiany, à tarde. Ele tocava frigideira numa orquestra improvisada e ela dançava em torno de uma moça que ia ser serrada num truque de mágica. À noite, eles suavam na boate Plaza, em Copacabana, no musical Sherazade. Convidado a excursionar com Society em babydoll, Paulo impôs a condição de só viajar se a mulher o acompanhasse. Na véspera do embarque para Salvador, aconteceu um imprevisto: a vedete torceu o pé. Houve remanejamento de papéis e sobrou vaga para Marília interpretar uma moça ingênua. Estava com cinco meses de gravidez, mas mentiu que eram só dois. Após o parto, excursionaram durante seis meses em Portugal, morando em pensões e secando fraldas com ferro de passar roupa. Na volta, o casamento estava em frangalhos. "O amor não agüenta tanta provação."

Em 1969, ganhou o primeiro Molière com "Fala baixo senão eu grito", de Leilah Assunção. No ano seguinte, ficou mais popular ao ser contratada pela rede Globo. Em 1981, recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos americanos por sua performance no filme Pixote, de Hector Babenco. Ela ri quando sua história sugere um vale de lágrimas. "Pára de falar na infância senão eu vou chorar", brincava o ex-marido Nélson Motta.

Você sabia?


Em 1964, Marília Pera derrotou Elis Regina num teste para o musical "Como vencer na vida sem fazer força". Logo depois começou a flertar com o jornalista e compositor Nelson Motta, que mal terminara um namoro com a cantora. Para piorar, Nelson convidou Marília para assistir ao show de Elis. Sentaram na primeira fila. Elis cantou olhando todo o tempo para eles. No dia seguinte, telefonou: "Tens notícia do meu homem?"

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sexo Verbal: Surpresas da Vida e do Viver

Por Marcos Freitas e
Ricardo Rocha Aguieiras

Uma das coisas boas da vida é que quando você está entediado de tudo, saco na lua e olhando sedutoramente para aquele frasco de arsênico lá na penteadeira – vamos ser mais modernos: Rohypnol no rack do pc...ehehe... - , sempre acontece algo surpreendente que te resgata para a felicidade, o êxtase e te dá mais alguns anos de tentativas.

Tivemos nós dois, Marcos Freitas e Ricardo Aguieiras, um dos mais belos sábados indo, muito bem acompanhados, rever o emocionante espetáculo SEXO VERBAL, em cartaz no Casarão do Belvedere (serviço abaixo). “Bem acompanhados” por que rodeados por ilustres e famosos como o grande e carinhoso Dr. Prof. Luiz Mott, que ocupa o 1º lugar no quadro de honra da militância homossexual, figura ímpar nesses Brasis. Mas também ao lado de Douglas Drummond, empresário que criou a ong Casarão Brasil, na rua Frei Caneca, que já está dando o que falar, com um monte de propostas ótimas e criativas. Douglas é um lindão, um corpasso e voz de arrepiar e levou junto o maior maquiador artístico do país, Westerley Dornellas, um verdadeiro mágico dos pincéis. Ferdinando Martins e o marido Beto Sato um monte de jornalistas que atuam na mídia gay, a nata do talento e da competência da imprensa estava lá, como, ainda, o Lufe Steffen, uma delícia queimado de sol e cheio de dentes brancos e Ana Paula Siewerdt... bela bela e bela. Com certeza estamos sendo injustos e esquecendo de alguns, mas perdoem!

Porém, estamos aqui para falar da peça.

Os anos 90 e todo o início deste século foram marcados por conservadorismos, moralismos que – unidos ao holocausto provocado pela aids e pela culpa judaico-cristã – quase colocaram a perder as conquistas e os espaços anteriores, frutos de Maio de 68, do Movimento Hippie, do Feminismo e outros movimentos sociais; até mesmo provocações de Freud, Sartre; Genet , Sade e outros caíram um tanto no esquecimento em nome de um comportamento sexual e amoroso que fosse visto como algo não transgressor, asséptico, discreto e politicamente correto. E, o mais importante, sem entregas. O prazer controlado e medido para não atiçar a nossa culpa e ficarmos bem , tanto perante o espelho como perante o olhar do/da outro/a. Sempre existirão inúmeros argumentos e desculpas para não sermos livres e felizes. E como, para muita gente, sexo, sentimentos, emoções e amor andam de mãos dadas, pode-se imaginar o estrago que tudo isso trouxe às relações entre as pessoas, onde passou a reinar, antes de tudo, a desconfiança e seus tentáculos repressivos.

João Silvério Trevisan já disse que os escritores são como os pára-raios da sociedade e de seus indivíduos e cabe a eles a dolorida tarefa do alerta e da percepção. Nós ampliamos isso para todo e qualquer artista, independente de sua qualificação. Mas ainda mais para as atrizes e atores, a mais bela das profissões. Atuar é se arrebentar à cada noite, não há no mundo generosidade maior, por que fazem isso pelo outro, pelo espectador que está lá assistindo, comprando as dores dele e transformando-as em suas, mas com um requinte: algo nesse ato tem a ver com o sagrado. Como sagrado são o amor e o sexo.
Então, que alegria assistir algo em que nos identificamos em nosso sagrado, ver na entrega de um ator a discussão do meu medo e do meu anseio, dos meus limites e que posso ir além.

A peça se desenvolve numa festa, num casarão cheio de almas trancafiadas, inclusive as nossas. E onde somos recepcionados por uma ex-prostituta imponente, logo envolvidos pelos “convidados” outros, numa noite em que devemos apertar os cintos, não seremos poupados. Ao contrário, depois que entramos não há mais como fugir, os nossos quartos, salas e cozinha serão abertos, por mais dolorido que isso seja, afinal “a Dor é o único sentimento que não tem máscara”. E sacanagem não é o que fazemos, mas o que fazem com a gente. Resgatar a sexualidade como um patrimônio único, presente dos deusas e deusas para a nossa felicidade e empatia. Com textos de Hilda Hist, Trevisan, Marcelino Freire e até mesmo alguns do Brasil Colônia e da Inquisição, uma cena se destaca de todas, a que se passa na cozinha onde a história de amor e morte entre homens, morte provocada pela homofobia, pelo olhar condenatório do outro. Te garanto que você não será mais o mesmo, depois que sair dessa cozinha. No elenco sentimos falta de uma travesti decidida Na re-paginação dos textos, foi incluída uma personagem lésbica que estreará na próxima edição do evento, ainda sem confirmação de data e local.

Mas também há celebração! Brilho das luzes e olhares que vêm juntos com o apelo para a nossa entrega. Não é possível viver, senão intensamente. Isso andava um bocado esquecido entre a gente...

Abaixo, um poema, “Desobediência Sexual”, de Ricardo Aguieiras, lido no final da peça:

Desobediência Sexual

Desobediência
Não espere de mim outra coisa
Infringir, transgredir
Não nasci para obedecer nem para semear a ordem
Quero a desordem

Desobediência sexual
Desobediência moral
Desobediência imoral

Quero um novo mundo
Além das leis e das regras
Além das religiões
De Deus ou do Diabo
É esse o mundo que quero

Não patrões e não partidos
Não dogmas e nem a sensatez conformada
Quero a minha educação descoberta por mim
Não ao sol tampado por peneiras
Estou na sarjeta onde plantei flores, mas sarjeta

Desobediência civil
Desobediência intelectual

Não a formas pré-estabelecidas
Não tentem me encaixar
Cremado ou dissecado serei
Para não caber nunca em um caixão
Flores? Não precisa! Já as trago tatuadas em meu corpo

Desobediência social
Desobediência corporal
Desobediência fiscal

Não sigo a sua estética
Não me dite normas
Não acredito na história oficial
Não acredito na conveniência da sua moral

Desobediência legal
Desobediência intelectual
... Desobediência sexual

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e Direção: Aurea Karpor
Elenco: Alexandre Acquiste, Aurélio Prates, Aurea Karpor, Hélio Tavares, Mariana Galeno, Silvana da Costa Alves
Iluminação: Alexandre Pestana Trilha Sonora: Régis Frias
Operação de Luz: Sally Rezende
Operação de som: Wilton Rozante.
Produção: ProjetoBaZar
Figurino: Alexandre Acquiste
Orientação de Literatura: Marcus Aurélius Pimenta
Direção Geral do Projeto: Aurea Karpor e Rodolfo Lima

SERVIÇO

De 9 a 24 de Janeiro de 2008
Sextas e Sábados, às 21 horas
Local - Casarão do Belvedere - Rua Pedroso, 267 - Bela Vista
Informações - (11) 3266-5272
Ingressos - 20 reais (10 reais meia entrada)
Lotação - 50 lugares
Duração - 60 minutos
Recomendação - 18 anos

Concurso Cultural – Sexo Verbal

Quer ganhar de presente um par de ingressos para assistir a peça “Sexo Verbal” no Casarão do Belvedere? O Blog Passageiro do Mundo em parceria os produtores do evento lhe dá esse presente. Para isso, basta responder a pergunta abaixo nos comentários do post “Sexo Verbal: Surpresas da Vida e do Viver”. O concurso premiará apenas com os ingressos, as demais despesas, como locomoção, ficam a cargo do contemplado.

Como podemos viver a nossa sexualidade em sua plenitude?

As respostas serão aceitas até a meia-noite do dia 22 de janeiro. A melhor resposta será divulgada no dia 23 de janeiro, abaixo da resposta é necessário deixar um endereço de email para contato.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Em 1982 morreu a “Pimentinha” Elis, aos 36 anos.

Natural de Porto Alegre, Elis Regina Carvalho Costa, foi a primeira pessoa que inscreveu sua voz como instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil.

Geniosa e exigente, tinha uma índole vulcânica e explosiva. Era bastante polêmica. Foi muitas vezes acusada de ser arrogante e antipática. Dona de uma belíssima voz, em menos de 20 anos de carreira, gravou 31 discos, onde imortalizou algumas das mais belas canções da música popular brasileira em interpretações mais do que apaixonadas. Descobriu talentos como Milton Nascimento, João Bosco, Renato Teixeira, Tim Maia e Ivan Lins.

A gauchinha tímida e recatada que começou a carreira cantando na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, deu lugar a uma mulher de personalidade forte e efusiva quando chegou ao Rio de Janeiro para tentar a sorte em 1962.

Desde os 11 anos já fazia sucesso na provinciana Porto Alegre da década de 50, cantando no programa Clube do guri. A primeira vez que esteve na rádio para cantar, o nervosismo foi tanto que jorrou sangue do nariz sem parar, manchando o vestido branco de organdi que a mãe tinha feito para a ocasião tão especial. E foi assim até o fim da vida. Antes de qualquer apresentação, tremia, gaguejava e precisava do incentivo dos colegas para encarar a platéia.

No Rio de Janeiro, fez o primeiro show no antigo bar Botlle´s, em Copacabana. As brigas e inimizades que Elis cultivou a vida inteira começaram a surgir neste tempo, quando ainda tinha 17 anos e precisava se esconder do Juiz de Menores que de vez em quando aparecia por lá.

Decepcionada com as constantes brigas entre os organizadores do show, um belo dia sumiu do mapa sem dar satisfações. Apareceu pouco tempo depois apresentando-se no bar vizinho, no primeiro de uma série de shows que faria com a dupla Miele e Ronaldo Bôscoli.

Nesta época, Elis criou os gestos que se tornariam sua marca registrada. Quando cantava, levantava os braços e girava-os como se fossem hélices de helicóptero. Por isso passou a ser chamada de Hélice. O apelido mais famoso seria dado por Vinícius de Moraes: Pimentinha.

Declarações bombásticas eram comuns nas entrevistas. Falou mal da Tropicália de Caetano e Gil e mais tarde gravou músicas dos dois. Desprezou a bossa nova do marido Ronaldo Bôscoli, mas gravou com Tom Jobim e Roberto Menescal os melhores discos de sua carreira. Chamou os militares da ditadura de “gorilas”, mas cantou na Olimpíada do Exército de 1972.

O talento era intuitivo, Elis nunca estudou canto, teoria musical nem aprendeu a tocar qualquer instrumento que fosse. E fez do palco sua morada, o único lugar onde reinava absoluta e por isso não dividia a glória com ninguém. "Separar-me do palco é a mesma coisa que castrar um garanhão", disse em 1969 numa entrevista a Clarice Lispector. A cada apresentação aprimorava mais sua performance e o sucesso veio à galope, na esteira da bossa nova. Consagrou-se em 1965 cantando Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes no I Festival da TV Excelsior. Era então uma garota de 20 anos, mas costumava dizer que como cantora "tinha 40 anos bem-vividos".

Na TV Record apresentou, ao lado de Jair Rodrigues, o programa Fino da Bossa, considerado até hoje um dos mais importantes da história da televisão brasileira. Com Jair gravou alguns de seus discos mais vendidos, Dois na Bossa, volumes I, II e III.

Do casamento de poucos anos com o compositor Ronaldo Bôscoli, em 1967, costumava dizer que só levou de bom o filho João Marcelo e um certo amadurecimento pessoal. Juntos protagonizaram brigas homéricas, geralmente em público.

Nesta época, embarcou numa promissora carreira internacional que só não deu mais certo porque não conseguia ficar muito tempo longe do Brasil. No Olympia de Paris, em 1968, foi ovacionada e voltou ao palco seis vezes depois do final do show. Após temporada de sucesso na Europa, casou-se com o pianista e arranjador César Camargo Mariano, com quem viveu durante nove anos e teve dois filhos, Pedro e Maria Rita.

Presença constante na televisão, tinha uma legião de fãs que compravam seus discos e iam aos shows. Falso Brilhante levou ao Teatro Bandeirantes mais de 280 mil pessoas em 257 apresentações, em São Paulo (1975/76). Só Elis era capaz dessas coisas.

Em janeiro de 1982, cheia de planos para o novo disco e cantando melhor que nunca, foi encontrada morta no apartamento onde morava no bairro nobre dos Jardins, em São Paulo, aos 36 anos. A causa: overdose de mistura de cocaína com álcool. O vulcão apagou, mas no dia seguinte os muros do País amanheceram com uma frase pichada pelos fãs: Elis vive”.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Maior Estátua de Cristo

A estátua de concreto do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, Brasil, tem 39,6m de altura e pesa mais de 700t, o monumento está inserido no "Guinness World Records", como a estátua de Cristo mais alta do Mundo. Sua construção foi concluída em 1931. Está localizada no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar. De seus 39,6m, oito estão no pedestal. Foi inaugurado às 19:15 do dia 12 de outubro de 1931, depois de cerca de cinco anos de obras. Um símbolo do cristianismo, a estátua se tornou um dos ícones mais reconhecidos internacionalmente de ambos Rio e Brasil. No dia 7 de Julho de 2007, em Lisboa, no Estádio da Luz, foi eleita uma das novas sete maravilhas do mundo.

A construção do Cristo Redentor ainda é considerada um dos grandes capítulos da engenharia civil brasileira. O dono do projeto levou a vida inteira construindo a estátua, erguida em concreto armado e revestida de pedra-sabão, originária do próprio pico do Corcovado. A pedra fundamental da estátua foi lançada em 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski (executor dos braços e do rosto da escultura).

Na cerimônia de inauguração, no dia 12 de outubro de 1931, estava previsto que a iluminação do monumento seria acionada a partir da cidade de Nápoles, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra. No entanto, o mau tempo impossibilitou a façanha, e a iluminação foi acionada diretamente do local. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e no ano 2000.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) em 1937, o monumento passou por obras de recuperação em 1980, quando da visita do papa João Paulo II, e novamente em 1990. Outro conjunto de obras importantes foi feito em 2003, quando foi inaugurado um sistema de escadas rolantes e elevadores para facilitar o acesso à plataforma de onde se eleva a estátua.

Antes mesmo de ser construído, o Cristo Redentor foi motivo de acaloradas discussões que dividem o país em católicos e protestantes. Apesar de atualmente protestantes de todo o mundo visitarem o Cristo, inicialmente os líderes da Igreja Batista eram contrários à construção do mesmo, chegando a propor que o dinheiro arrecadado fosse usado na construção de uma obra beneficente. Em 22 de março de 1923, seguidores da Igreja Batista declararam em nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, seu desgosto quanto à construção do Cristo Redentor. A nota afirmava que a construção "será a um tempo um atestado eloqüente de idolatria da igreja de Roma e uma afronta a Deus. No dia em que tal crime se consumar, bom seria que todos os verdadeiros cristãos no Brasil se reunissem em culto penitencial, para pedir a Deus que não imputasse a todo o Brasil esse grande pecado, cuja responsabilidade deve recair sobre a Igreja Católica e sobre os governantes que não souberam ou não quiseram fugir à armadilha, preparada por ela com a isca do patriotismo". Afirmaram também que "os que tiveram a infeliz idéia de erigir o monumento a Cristo Redentor, não tiveram a intenção de honrar a Cristo, mas sim a de engrandecer o catolicismo romano. Se tivesse querido honrar a Cristo, procurariam erigir-lhe um monumento não no Corcovado, mas em cada coração. No coração é que Cristo quer reinar. Eles, porém, pretendem honrar a Cristo, desonrando-o, fazendo aquilo que ele terminantemente proibiu — fazendo-lhe uma imagem", 75 anos mais tarde, o Cristo Redentor se tornou um santuário católico, a decisão causou desgosto nos protestantes admiradores da imagem do Cristo, uma contradição com os batistas que se opuseram à construção do monumento.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

"O Curioso Caso de Benjamin Button" (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), é o mais novo filme do astro Brad Pitt, que estréia hoje nos cinemas de todo o Brasil. Filme que tem um orçamento estimado em cerca de 150 milhões de dólares.

O longa é um drama baseado no conto escrito pelo famoso escritor norte americano F. Scott Fitzgerald, que narra a história de Benjamin Button, um homem que nasce com 80 anos e na medida que os anos vão passando, começa a rejuvenescer. Benjamin conhece o amor aos 50 anos de idade quando se apaixona por uma mulher mais jovem, interpretada por Cate Blanchett.

A partir daí, o casal viverá um dilema, pois ele ficará mais moço e ela, mais velha. Então, como viver esse amor, já que a diferença das idades se distanciará cada vez mais?
Não é a primeira vez que Brad Pitt e Cate Blanchett trabalham juntos, eles participaram do filme "Babel" (Babel, 2006) onde interpretaram um casal em férias no Marrocos que acabaram se envolvendo em um terrível acidente.

"O Curioso Caso de Benjamin Button" conta ainda com as presenças de Julia Ormond (Sabrina), e da ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2007, Tilda Swinton (Conduta de Risco).

O longa tem a produção de Kathleen Kennedy e Frank Marshall, responsáveis pela parceria com Steven Spielberg em vários sucessos, entre eles, Indiana Jones. Assina a produção também, o produtor Ceán Chaffin. A direção fica por conta de David Fincher.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sexo Verbal

O espetáculo Sexo Verbal, em cartaz na cidade de São Paulo, questiona os desejos e frustrações nas mais diversas formas de amar, tendo como cenário uma grande festa cheia de luxúria e prazer. A peça aborda temas como romantismo; falsa moral; religião; homossexualidade e homofobia; conservadorismo e moralismo.

A proposta do trabalho é a constante interação com os expectadores. No início somos recepcionados de forma calorosa pela anfitriã da festa, uma ex-prostituta que nos convida a dançar e se esbaldar na noite. Por um momento até nos esquecemos que estamos numa peça e começamos a interagir com o elenco.

As expressões corporais, a proximidade com o público, a emoção e a excelente qualidade dos textos selecionados são os pontos fortes da peça. A todo o momento os atores se relacionam com o público e falam de forma muito sensual/sexual ao pé do ouvido dos presentes, e em outros momentos aos gritos, sempre espontâneos e verdadeiros.

No encerramento é levantado um questionamento sobre os amores de hoje, ciberneticos, e em tom de indignação perguntam: “Que amores são esses?” Nesse momento também é dada a oportunidade para o público se pronunciar e refletir nos encontros e desencontros do coração e a falta de entrega na paixão.

O roteiro é fruto de compilações de textos de autores consagrados como: Caio Fernando Abreu, Paula Taitelbaum, Tati Bernardi, Rodrigo Levino, Marcelino Freire e João Silvério Trevisan, com direção de Áurea Kapor. Na apresentação do dia 17/01, será incluído no roteiro o texto “Desobediência Sexual” do queridíssimo Ricardo Aguieiras. Vale à pena conferir.

Serviço

Local: Casarão do Belvedere. Rua Pedroso, 267.
Horários: de sexta a sábado, às 21h
Informações: tel.: (11) 3266 5272
Ingressos: R$ 20
Recomendado para maiores de 18 anos
Em cartaz até 24 de janeiro

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Calígula

Sangue, violência, crueldade e insanidade são palavras que nos vêm à cabeça quando pensamos em Calígula. A história do imperador Romano foi escrita para o teatro em 1938 pelo autor e filósofo franco-algeriano Albert Camus, repleta de orgias e derramamento de sangue. O ator Thiago Lacerda interpretará o imperador em uma montagem do diretor Gabriel Villela, a partir de hoje, no SESC Pinheiros.

No início dos anos 90, Edson Celulari protagonizou uma montagem do texto de Camus e ficava nu em cena. Lacerda não ficará nu, mas, protagonizará um beijo gay. Segundo o diretor, sua montagem aborda as questões mais metafísicas, filosóficas do texto. O texto de Camus não é um trecho da história do Império Romano, e, sim, um retrato da loucura, da busca por algum sentido em suas ações.

O protagonista afirmou em entrevista que a insegurança é o melhor método para fazer as pessoas pensarem. O personagem construído por Lacerda desmonta a imagem de galã, que estamos acostumados a associá-lo, e transpassa crueldade e a insanidade. A peça comemora os dez anos de carreira de Thiago Lacerda.

Teatro Paulo Autran - Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros
Fone: 3095- -9400
Sextas e sábados às 21h e domingo às 18h
Até 22 de dezembro